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Quais os limites da prática
jornalística ética que envolve ações policiais? Segundo o coronel reservista
André Vianna, há 31 anos na Polícia Militar de São Paulo, é preciso ter bom
senso. “Vemos coisas gritantes acontecerem. No caso Eloá, em 2008, pessoas
fizeram qualquer coisa para aparecer, para ter audiência, mesmo que isso
pudesse significar a vida de outra pessoa”. Na cobertura do caso, Sônia Abrão,
que comanda o programa “A tarde é Sua” (RedeTV!), entrevistou Lindemberg Alves
ao vivo, por telefone, bloqueando a linha que era utilizada para contato com o
negociador da operação. Além dela, outros repórteres da rede Globo e Rede
Record também entrevistaram o sequestrador. À época, a mídia até chegou a ser
acusada de irresponsável e criminosa.
O coronel comenta que, segundo o
“Código de Conduta para os funcionários responsáveis pela Aplicação da Lei”, no
artigo 4º - que trata da confidencialidade de certas operações militares - “o
policial não deve, em momento algum, acionar a imprensa quando for fazer uma
intervenção, porque isso gera um pré-julgamento”, declara. “No caso da Escola
Base, por conta de uma denunciação caluniosa, ou seja, denúncia falsa, acabou-se
com a vida de uma família, o que é crime”. O caso também teve grande
repercussão nacional: em março de 1994, diversos veículos da mídia publicaram
reportagens em que seis pessoas (dois donos, dois funcionários e dois pais de
alunos) estariam envolvidas no abuso sexual de crianças, alunas da Escola Base.
Um perureiro da escola fez uma denunciação falsa, e o delegado Edelcio Lemos,
sem verificar a veracidade das denúncias, divulgou as informações à imprensa. A
escola foi depredada e saqueada; os donos chegaram a ser presos. No final, o
caso foi arquivado por falta de provas. A denúncia não tinha fundamento algum.
“O FEAL (funcionário encarregado de aplicação da lei) errou porque ele acionou
a imprensa a título de autopromoção”, diz.
Outra questão delicada são os
programas policiais, em que a mídia
acompanha a atuação da PM. O cel. Vianna declarou que “Eles mostram o que está
acontecendo, até promovem positivamente a instituição. No entanto, o que fere
muito o princípio de confidencialidade é, sem o devido controle, a polícia
levar a imprensa sem saber exatamente o que está acontecendo. Isso expõe a
todos, o profissional da imprensa e os suspeitos”, diz. “Existem casos até mais
graves, em que a polícia cria um caso para dar repercussão para ela mesma. E
pior ainda, casos em que a imprensa custeia a ação a matéria. Isso é
chocante!”. Inspirados em programas americanos, como o “Cops”, há hoje na
televisão brasileira o “Operação de Risco” e “Polícia 24h”, programas com
propostas similares. O coronel se recusou em citar a qual programa ele se
referia.
A entrevista
foi concedida aos alunos do 9º Módulo Jornalismo em Situações de Conflito
armado, da OBORÉ - Projetos Especiais de Comunicação e Artes.
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