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02/09 - Manuel Carlos Chaparro - Professor da Pós-graduação do Departamento de Jornalismo da ECA/USP

 

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"CHAPARRO ABRE SEQUÊNCIA DE PALESTRAS DO DE FRENTE PARA O FUTURO"

Por Caroline Zilli

O jornalista Carlos Chaparro ministrou neste sábado, 2 de setembro, a aula “Técnicas de Redação para o Vestibular” no Inteligente Vestibulares. Numa exposição de duas horas, os alunos tiveram a oportunidade de aprender como tornar uma redação clara e concisa, e também de que forma produzir um texto jornalístico.

Ex-docente da Universidade de São Paulo, Chaparro explicou sobre a importância das palavras e dos seus significados. A maneira como se fala é influenciada por aquele que ouve e pode ser compreendida de diversas formas. A fim de evitar isso, são necessários ajustes no modo de falar de acordo com o sujeito com quem se fala e o local onde essa conversa se dá.

Antes de definir o assunto de uma redação, deve-se pensar no público-alvo. Não existe diálogo sem interlocutor. O mesmo ocorre no texto. Falar para si mesmo ou para o leitor errado pode ser fatal. “E essa é uma das falhas dos jornalistas”, acrescenta Chaparro.

A questão da expectativa é também decisiva num texto. Existem dois tipos: as pré-existentes e as dinâmicas (aquelas surgidas ao longo de uma conversa ou mesmo quando da leitura de um livro). O escritor tem de detectar, avaliar e responder às esperanças do leitor. Caso contrário, poderá perdê-lo. O título, como exemplifica o palestrante, é sempre o grande ativador destas expectativas.

A clareza foi o tema mais abordado da exposição. Ela divide-se em três: clareza nas ações, nas idéias e nas relevâncias.

A primeira diz respeito ao objetivo de quem escreve. “Você precisa definir qual ação quer realizar. Informar, perguntar, agredir, ordenar, ensinar, perdoar, persuadir. Pois assim,  você  evidencia  o seu texto. E o bom é aquele que tem verbos fortes”, explica.

 

A segunda refere-se à clareza das frases, a disposição das palavras no papel. O alvo principal de Chaparro nesta categoria é o aposto. Quanto maior for a distância entre o sujeito e o verbo, pior a compreensão do texto. Ele só é bom quando dá força ou elucida o sujeito. Nos outros casos, é desnecessário.

Quanto à questão da relevância, Chaparro é categórico: começar sempre com o que é mais importante e excluir idéias e fatos irrelevantes. Definir o que é valioso é o problema. Para isso existem os atributos de noticiabilidade. Dentre eles, o de atualidade é principal. Os outros critérios, também importantes, são: proximidade, conseqüências, conflitos, notoriedade, conhecimento, utilidade, surpresa, dramaticidade, suspense e curiosidade.

Chaparro dá algumas dicas para a elaboração de um texto conciso: evitar locuções verbais, pois um verbo impede a ação do outro; dizer o máximo usando um menor número de palavras; e ler muito. “Vocês têm que aprender com os bons autores, com bons livros. Para isso, não leiam Paulo Coelho. A não ser para descobrir como não fazer”, brinca.

 

 

 

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