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08/08 - Fábio Santos - Jornalista e editor chefe do jornal Destak

08/08 - Marcelo Soares - Ex-gerente executivo da ABRAJI

 

Texto sobre a palestra  |  Página de fotos

 

Aula Magna curso Semi Comunicação 2007

 

Por Renata de Albuquerque

 

Em 8 de agosto o curso semi-extensivo do Inteligente Vestibulares foi aberto com as aulas magnas de dois profissionais da área de jornalismo: Fábio Santos, jornalista e editor chefe do jornal Destak, e Marcelo Soares, ex-gerente executivo da ABRAJI, vencedor do prêmio Esso de Jornalismo e atualmente desenvolveu pela Transparência Brasil o banco de dados excelências.org.br. Ambos enfocaram as rápidas mudanças pelas quais o jornalismo vem passando, desde a criação da internet, e suas conseqüências.

Fábio Santos falou sobre uma nova realidade que vem se desenhando no jornalismo diário: os jornais de distribuição gratuita, cujas tiragens têm superado as dos jornais pagos. Segundo ele, essa tendência mundial acontece sob o impacto da internet, e da necessidade de informação rápida e focada que os leitores têm. Os leitores do Destak, exemplificou, são mais jovens do que os leitores de jornais pagos. Para eles, o Destak oferece informações mais próximas, acerca do cotidiano, que nem sempre os grandes veículos trazem. Em sua opinião, é preciso buscar alternativas para encontrar uma resposta acerca do futuro dos tradicionais veículos impressos.  

As dificuldades que os profissionais enfrentam no mercado de trabalho, decorrentes também da brusca diminuição da oferta de trabalho em redações, também estiveram presentes na aula magna. “As redações estão cada vez menores, cada vez mais enxutas”, sentenciou Santos. Por isso, é necessário buscar alternativas de trabalho e olhar para áreas que nem sempre foram privilegiadas no jornalismo. Para ele, apesar de a especialização ser cada vez maior, é necessário ter conhecimentos gerais para ser um bom profissional: ler, estar bem-informado e saber ser crítico são pontos positivos. “O bom profissional sempre terá lugar no mercado”, afirmou.

As grandes mudanças ocorridas depois da internet foram assunto também para Marcelo Soares. A crise dos jornais impressos e a revolução da internet preocupam, e devem ser alvo de reflexão por parte dos estudantes que pretendem ingressar nesse mercado de trabalho. Para ele, o jornalismo hoje reproduz um modelo que não sabe exatamente onde vai. “Vocês terão de pensar sobre quais são os caminhos a serem seguidos sozinhos”, disse o jornalista vencedor do Prêmio Esso.

A incerteza sobre o futuro dos veículos tradicionais é grande e, na opinião de Soares, as faculdades miram um mercado que é transitório, já que o jornalismo vive em um estado de mudança permanente.”O jornalista não é mais uma referência como era antigamente. Hoje qualquer um pode ser referência”, disse, sobre o fenômeno do surgimento dos “super-especialistas” em determinados assuntos.  

Os “super-especialistas” surgem a partir da busca detalhada de informações em fontes que hoje são democráticas, como a internet. Com isso, estar bem-informado já não é privilégio do jornalista, que precisa buscar um diferencial para colocar-se no mercado.

Para Soares, saber utilizar a tecnologia (especialmente a internet) e a informação em prol de bom jornalismo são fatores essenciais. Conhecimentos como matemática, para interpretar os bancos de dados que hoje já existem ao alcance de todos, podem gerar novas possibilidades de análise que nem todos conseguem realizar.

Com o mercado reduzido, Soares chamou a atenção sobre a capacidade de “criar o próprio emprego” (citando o jornalista Mino Carta, que criou diversos veículos onde trabalhou). Isso significa perceber demandas e possibilidades novas que o mercado pode oferecer e investir não só na criatividade, mas no conhecimento qualificado.

Os desafios para os futuros jornalistas são, afinal, imensos. O mercado cada vez mais reduzido só poderá absorver os melhores. E, para conseguir ser parte desse seleto grupo, é preciso dedicar-se, adquirir conhecimentos variados, ler, informar-se, aprender a ser crítico, a realizar análises e conseguir compreender o mundo, sempre em intenso movimento.

 

 

 

 

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