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Em 8 de agosto o curso semi-extensivo do Inteligente Vestibulares foi aberto com as
aulas magnas de dois profissionais da área de jornalismo: Fábio Santos,
jornalista e editor chefe do jornal Destak, e Marcelo Soares, ex-gerente
executivo da ABRAJI, vencedor do prêmio Esso de Jornalismo e atualmente
desenvolveu pela Transparência Brasil o banco de dados excelências.org.br.
Ambos enfocaram as rápidas mudanças pelas quais o jornalismo vem passando,
desde a criação da internet, e suas conseqüências.
Fábio Santos falou sobre uma nova realidade que vem se
desenhando no jornalismo diário: os jornais de distribuição gratuita, cujas
tiragens têm superado as dos jornais pagos. Segundo ele, essa tendência mundial
acontece sob o impacto da internet, e da necessidade de informação rápida e
focada que os leitores têm. Os leitores do Destak, exemplificou, são mais
jovens do que os leitores de jornais pagos. Para eles, o Destak oferece
informações mais próximas, acerca do cotidiano, que nem sempre os grandes
veículos trazem. Em sua opinião, é preciso buscar alternativas para encontrar
uma resposta acerca do futuro dos tradicionais veículos impressos.
As dificuldades que os profissionais enfrentam no mercado de
trabalho, decorrentes também da brusca diminuição da oferta de trabalho em
redações, também estiveram presentes na aula magna. “As redações estão cada vez
menores, cada vez mais enxutas”, sentenciou Santos. Por isso, é necessário
buscar alternativas de trabalho e olhar para áreas que nem sempre foram
privilegiadas no jornalismo. Para ele, apesar de a especialização ser cada vez
maior, é necessário ter conhecimentos gerais para ser um bom profissional: ler,
estar bem-informado e saber ser crítico são pontos positivos. “O bom profissional
sempre terá lugar no mercado”, afirmou.
As grandes mudanças ocorridas depois da internet foram
assunto também para Marcelo Soares. A crise dos jornais impressos e a revolução
da internet preocupam, e devem ser alvo de reflexão por parte dos estudantes
que pretendem ingressar nesse mercado de trabalho. Para ele, o jornalismo hoje
reproduz um modelo que não sabe exatamente onde vai. “Vocês terão de pensar
sobre quais são os caminhos a serem seguidos sozinhos”, disse o jornalista
vencedor do Prêmio Esso.
A incerteza sobre o futuro dos veículos tradicionais é
grande e, na opinião de Soares, as faculdades miram um mercado que é
transitório, já que o jornalismo vive em um estado de mudança permanente.”O
jornalista não é mais uma referência como era antigamente. Hoje qualquer um
pode ser referência”, disse, sobre o fenômeno do surgimento dos
“super-especialistas” em determinados assuntos.
Os “super-especialistas” surgem a partir da busca detalhada
de informações em fontes que hoje são democráticas, como a internet. Com isso,
estar bem-informado já não é privilégio do jornalista, que precisa buscar um
diferencial para colocar-se no mercado.
Para Soares, saber utilizar a tecnologia (especialmente a
internet) e a informação em prol de bom jornalismo são fatores essenciais.
Conhecimentos como matemática, para interpretar os bancos de dados que hoje já
existem ao alcance de todos, podem gerar novas possibilidades de análise que
nem todos conseguem realizar.
Com o mercado reduzido, Soares chamou a atenção sobre a
capacidade de “criar o próprio emprego” (citando o jornalista Mino Carta, que
criou diversos veículos onde trabalhou). Isso significa perceber demandas e
possibilidades novas que o mercado pode oferecer e investir não só na
criatividade, mas no conhecimento qualificado.
Os desafios para os futuros jornalistas são, afinal,
imensos. O mercado cada vez mais reduzido só poderá absorver os melhores. E,
para conseguir ser parte desse seleto grupo, é preciso dedicar-se, adquirir
conhecimentos variados, ler, informar-se, aprender a ser crítico, a realizar
análises e conseguir compreender o mundo, sempre em intenso movimento.
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