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Por Nathaly Campitelli Roque
No
último dia 24 de outubro, a Casa de Portugal e o “Projeto de Frente para o
Futuro – Faculdade / Mercado de Trabalho”, realizado pelo Inteligente
Vestibulares e OBORÉ Projetos Especiais em Comunicações e Artes, receberam o
jornalista e autor Caco Barcellos que falou para mais de 200 estudantes que
anseiam ocupar uma das cadeiras do concorrido vestibular da Fundação Cásper
Libero, uma vez que seu livro é leitura obrigatória para o vestibular 2008 da
instituição.
Barcellos procurou frisar
a importância do papel do jornalista na investigação e apuração dos fatos de
relevância social a fim de buscar reportar de modo mais fiel os fatos. Afirmou
que muito tem se perdido com tendência denuncista e declaratória adotada por
alguns meios de comunicação, despreocupados em verificar a veracidade das
notícias que estampam as suas manchetes.
“Dar uma chance ao outro lado” foi uma das principais razões
pelas quais Caco Barcellos escreveu a obra “Abusado – O Dono do Morro Dona
Marta”, seu terceiro livro-reportagem. Se no livro “A revolução das crianças”,
a intenção era dar voz aos pequenos guerrilheiros sandinistas da Guerra da
Nicarágua, mostrando a vitória do povo nesta luta, e na segunda obra, “Rota 66”, descobrir quem eram os
7.500 mortos pela Rota em
São Paulo no período de 1970 a 1992, dando conta da
existência de um verdadeiro grupo de extermínio financiado pelo Poder Público,
em seu terceiro livro, Caco Barcellos procurou trazer uma visão mais
aprofundada da rotina do tráfico de drogas nas favelas do Rio de
Janeiro, mostrando a complexidade da organização criminosa e das próprias
relações com a comunidade.
Para tanto, buscou o Autor o ponto de vista dos moradores do
morro e dos próprios traficantes, colhendo depoimentos nos sete anos que
visitou o Morro de Dona Marta. O tom da
escrita, como bem expôs o próprio autor em sua fala para os estudantes, é de um
romance. Porém, como também frisou o autor, os fatos narrados nas páginas da
obra são todos reais. O Autor atribui tal resultado a influência dos próprios
depoimentos dos moradores, dados com riquezas de detalhes, fornecendo rico
material de investigação e apuração.
Em um paralelo com a obra “Rota 66”, Caco Barcellos expôs que
grande parte dos homicídios praticados pela polícia são em condições que
inviabilizam a defesa da vítima (como por tiros a menos de um metro de
distância da vítima – chamado de tiro à queima roupa) e que estas, muitas
vezes, são crianças de menos de doze anos e de pessoas com carteira de trabalho
assinada, sem nenhum envolvimento com o crime. Ou seja, os mortos nas operações
de combate ao tráfico são, muitas vezes, pessoas que sequer tem qualquer tipo
de envolvimento com o crime organizado.
Também o autor demonstrou sua preocupação com o posicionamento
de alguns membros da imprensa favoráveis aos grupos de extermínios, policiais
ou não. Caco Barcellos apontou que o crime que mais revela a violência de uma
sociedade é o crime de morte e que esta punição sumária praticada por quem quer
que seja é inaceitável. O número de mortos pela polícia, expôs o palestrante,
superou o número de mortos no período da Ditadura apenas no primeiro semestre
de 2007 e tende a bater o recorde do ano de 2006 (mais de 1.600 mortos).
Nas palavras da estudante Débora de Andrade Zanelato, “Ele
mostrou com dados, e não impressões, que a violência de uma ‘tropa de elite’
não se justifica nem resolve qualquer problema”.
O Coordenador do Projeto de Frente para o Futuro, Alvaro de
Azevedo, resume da seguinte maneira a noite de 24 de outubro: “Posso dizer que
hoje 200 estudantes pré-vestibulandos que visam atuar na área de comunicação
tiveram uma aula que os convidou a um ato muito nobre do ser humano, qual seja:
a REFLEXÃO”.
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Eu
achei legal o evento.
Acho que o Caco falou
bastante sobre a profissão
de jornalista, o que
é legal pra quem vai
fazer jornalismo, mas
não sei se o que ele
falou ajuda realmente
a acertar uma questão
de vestibular, visto
que um autor não deve
conseguir fazer uma
análise imparcial sobre
a própria obra. De qualquer
forma, achei o evento
válido, interessante
e as perguntas da platéia
ajudaram a compreender
melhor o contexto do
livro. Ah, vendê-lo
com desconto foi uma
ótima idéia, também.
Em suma, estão de parabéns!
Thais
de Auxílio
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