|
Por Débora Zanelato
“A construção da TV pública e as
TVs universitárias: novos espaços de atuação para o profissional da
comunicação”
O jornalista Pedro Ortiz ministra
palestra sobre o tema na Feira do Estudante Expo Ciee 2009. Ele fala sobre a
importância da TV pública e o que isso implicará na oferta de trabalho para
profissionais da área.
Durante a Feira do Estudante Expo Ciee 2009, o Projeto De Frente Para o Futuro: Faculdade
/Mercado de trabalho ofereceu palestras aos estudantes interessados na
carreira de comunicação social. No sábado, 25 de abril, Pedro Ortiz, professor
da Faculdade Cásper Líbero e diretor da TV USP e do Canal Universitário, falou
sobre a construção da TV pública e as TVs universitárias, e o que o surgimento
dessas implicará ao futuro dos profissionais de comunicação.
O professor exibiu trecho de um documentário sobre
o nascimento da televisão no Brasil, ocorrido há quase 60 anos atrás, a fim de
entender melhor sua trajetória. “No início da TV, muitas coisas vieram do
rádio, como o telejornal, a novela, programas infantis”, observa. “Depois, ela
começa a buscar sua identidade, trazendo à grade de programação outras atrações,
voltadas também ao entretenimento, prestação de serviços”. Ortiz traçou um
breve panorama da história da TV para chegarmos ao atual momento, de grandes
transformações tecnológicas e de convergência de mídia e claro,a consolidação de um chamado modelo “complementar”
à TV comercial: a TV pública.
Dentro desse contexto, Ortiz aponta a necessidade
de um “profissional polivalente e multimídia”, ou seja, que tenha capacidade de
desenvolver diferentes atividades, que domine a técnica de mais de um meio de
comunicação. “Hoje os meios de comunicação estão interagindo entre si, internet
e televisão, a portabilidade”, explica. Por isso a necessidade de um
profissional que saiba trabalhar num meio que não está mais isolado e acabado
em si mesmo.
Sobre perspectivas futuras, Ortiz é otimista e
projeta que, certamente, daqui 10 ou 15 anos, as televisões públicas estarão
cada vez mais fortes e em busca de mais profissionais para trabalhar nesse novo
segmento. “A TV pública não se pauta pela audiência na hora de criar um
programa, como acontece nas TVs comerciais. Ela procura apresentar conteúdos
que possam contribuir para o crescimento do país, do senso crítico de cada
telespectador. Temos um espaço de desenvolvimento, de grande experimentação”
explica. “E nessa TV há lugar para todas as áreas de atuação, é um ambiente multidisciplinar”,
salienta.
Para exemplificar sua tese, ele comenta a produção
de um programa infantil: “Por trás dele estão muitos profissionais da
comunicação, das artes, das ciências humanas. Tem gente para fazer roteiro,
para manusear os equipamentos, gente para dar orientação pedagógica,
antropólogos, historiadores, etc. O campo de trabalho é muito, muito grande na
TV pública”.
Ortiz aponta alguns tópicos que norteiam os princípios
da TV pública:
- Formação crítica do indivíduo para o exercício
da cidadania;
- Expressão maior da diversidade e pluralidade do
povo brasileiro;
- Universalização ao direito à informação
- Não deve ter, em hipótese alguma, racismo, seja
ele qual for, em sua programação;
- Deve estar ao alcance de todos, logo, não pode
ser paga;
- Deve ser autônoma de quaisquer governos,
municipal, estadual ou federal;
- Movimentos sociais também podem contribuir com a
TV pública;
- TV pública como financiadora do cinema
brasileiro;
Respondendo a perguntas de estudantes, o professor
coloca que certamente a televisão, mesmo em convergência com a internet, não
vai deixar de existir. “A TV não vai acabar. A nossa forma de fazer TV é que
vai mudar, e positivamente”, finaliza.
Saiba
mais
O Projeto
de Frente para o Futuro é resultado de uma parceria feita em 2005 entre a OBORÉ Projetos Especiais em Comunicações e Artes e
o Inteligente Vestibulares. É destinado aos estudantes do Ensino Médio e
pré-vestibulandos interessados na carreira da comunicação, e viabiliza palestras
com profissionais da área para compartilhar com os estudantes seus
conhecimentos, buscando responder às indagações dos futuros profissionais da
comunicação. Além de Pedro Ortiz, outros profissionais ligados ao projeto
participaram do evento, como Fábio Santos, editor chefe do jornal Destak, e
Álvaro de Azevedo Gonzaga, doutorando em Direito e professor da PUC-SP.
Pedro
Ortiz é jornalista formado pela ECA-USP, mestre e
doutor em integração da América Latina, área de comunicação e cultura, pela
USP. É
professor
de telejornalismo da Faculdade Cásper Líbero, diretor da TV USP e do Canal
Universitário de São Paulo. Trabalhou em diversos veículos, com Folha de S.
Paulo, Gazeta Mercantil e TV Bandeirantes, além de produtoras independentes,
nacionais e internacionais.
|