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04/05/11 - Leonardo Sakamoto - Jornalista e Doutor em Ciência Política. Cobriu conflitos armados e o desrespeito aos direitos humanos em Timor Leste, Angola e no Paquistão. Já foi professor de jornalismo na USP e, hoje, ministra aulas na pós-graduação da PUC-SP. Trabalhou em diversos veículos de comunicação, cobrindo os problemas sociais brasileiros. É coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo.

 

Texto sobre a palestra  |  Página de fotos

 

Alunos do curso Extensivo Conunicação 2011 recebem Leonardo Sakamoto em Aula Magna

 

Por Bárbara Vidal

Na última quarta-feira, 4 de maio, os alunos do curso Extensivo de Comunicação 2011, participaram de uma aula especial que contou com a presença do jornalista Leonardo Sakamoto, também coordenador da ONG Repórter Brasil e professor da PUC-SP. O profissional cursou Eletrotécnica no CEFET, formou-se pela Universidade de São Paulo (USP) em Comunicação Social e também é doutor em Ciência Política.

O jornalista tratou de questões essenciais e, talvez, decisivas, para os vestibulandos, como o desejo de mudar o mundo por meio da profissão. “Muitos jornalistas têm esse complexo de Clark Kent e eu fui um dos que entrou na faculdade para mudar o mundo. Mas apesar de na vida real ser diferente, é possível contribuir para um processo de transformação social como jornalista”, afirmou Leonardo. Sua trajetória explica como.

No começo de sua carreira – trabalhando na aérea de turismo –, o jornalista observava que o gênero reportagem era cada vez mais raro e, além disso, não havia espaço para contar histórias ligadas à defesa dos direitos humanos na imprensa – tema que sempre foi de seu interesse. De acordo com Leonardo, a gota d’água foi ter encontrado trabalhadores sendo escravizados em um campo de produção de cal, próximo a São Raimundo Nonato (PI), quando fazia uma reportagem no Parque Nacional das Capivaras.

Desde então, o jornalista cobriu diversos conflitos internacionais, entre os quais a guerra da independência do Timor Leste e a guerra civil de Angola. “Em situações de guerra tive contato com as emoções humanas das formas mais cruas”, pontuou. E foi nessa ocasião que Leonardo surpreendeu os estudantes: “Imparcialidade não existe. Tomo partido em todos os meus textos e eles não deixam de ser jornalísticos”.

Repórter Brasil

Viajando pelo Brasil terrestre como repórter independente, Leonardo descobriu um país com desigualdades sociais e econômicas latentes. “O que eu podia fazer como profissional era reportar aquela situação, mas, como cidadão, eu precisava agir diretamente para uma mudança social. Foi quando eu e mais alguns amigos fundamos a ONG Repórter Brasil”, disse.

Há 10 anos, a ONG combate o trabalho escravo contemporâneo por meio do mapeamento de cadeias produtivas, do monitoramento dos biocombustíveis, de projetos educacionais e das denúncias realizadas pela agência de notícias Repórter Brasil.

Diploma e censura

Durante a palestra Leonardo destacou a importância da faculdade, mesmo com a queda do diploma: “Apesar de haver muito comunicador exercendo melhor o jornalismo em sua rádio comunitária do que muito jornalista graduado, a formação ética se aprende na universidade”.

Já quando perguntado sobre as dificuldades enfrentadas na profissão, afirmou que alguns casos de censura são complicados de aceitar, dando como exemplo as descobertas de falcatruas de empresas que eram anunciantes de revistas em que já trabalhou e que, consequentemente, não puderam ser publicadas.

“Como fazer”

Leonardo Sakamoto finalizou o bate-papo dando algumas dicas aos estudantes: “Antes de qualquer coisa, é preciso gostar de informação, de ler e de aprender, e ser curioso é essencial”. E completou: “O jornalista é operário da notícia e também faz parte de uma linha de produção, mas ele não se vê como funcionário, mas sim como parte do nicho social dos patrões. Por isso, jornalista brasileiro não faz greve e sua categoria recebe salários baixos”.

Segundo a vestibulanda Mayara de Carvalho Izzo, mesmo ele sendo um profissional muito bom e com muita experiência, ainda tem o espírito de um recém-formado. Já o estudante Felipe Pessoa Postigo, afirmou: “Apesar de não saber se eu faria o que ele faz, a palestra serviu de inspiração, pois seu trabalho é admirável”.

 

 

 

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