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10/09 - Ausônia Donato - Diretora pedagógica do Colégio Equipe

Textos dos alunos Caroline Zilli e Marcelo Iglesias

 

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"ESTUDO É UMA ATIVIDADE CONSCIENTE"

Por Marcelo Iglesias

São as palavras de Ausônia Donato, diretora pedagógica do Colégio Equipe, para os vestibulandos que buscam o conhecimento pela "decoreba"

O segundo encontro do projeto De Frente para o Futuro, organizado pelo Inteligente Vestibulares, em parceria com a Oboré, realizou-se no dia 10 de setembro. Desta vez, a palestrante foi a diretora pedagógica do Colégio Equipe, Ausônia Favorido Donato,  que trabalha como professora há 38 anos, com extremo orgulho: "Eu gosto de ser apresentada como professora e não como doutora", diz.

Logo no início, Ausônia tentou estimular os estudantes presentes no evento. Para tanto, usou-se, além do seu bom humor corrente, da afirmação de que o cursinho não é uma "salinha de espera", mas sim um momento de formação. Tal afirmação que poderia parecer comum entre os educadores, teve seu grau de importância elevado no discurso da professora, pois ela soube argumentar de forma convincente sobre a necessidade de ter-se conhecimento e educação, em um país como o Brasil. Citando ocorridos em que a falta do acesso à cultura proporcionou  cenas constrangedoras e até trágicas, a educadora defendeu a sua posição frente a essencialidade da busca pelo conhecimento o mais amplo possível.

Como uma boa professora, Ausônia não limitou a participação dos alunos a fase final da palestra. Ela propôs momentos de reflexão e discussão entre os presentes, técnica esta apontada como uma das formas de obtenção de conhecimento.

Tal discussão inicial serviu de gancho para que a diretora pedagógica chegasse ao que se dispôs a trazer para os vestibulandos: técnicas e métodos que podem auxiliá-los nos estudos. No entanto, a  disse, "Não tem nada nesse mundo em que a gente não aprenda algo". Esta assertiva foi acompanhada de outra, a qual dizia que só aprendemos algo quando captamos os princípios que sustentam aquela ação. Ou seja, se estudamos muito e obtemos um mau resultado, é porque ou não estudamos com vontade, ou ainda desconhecemos os motivos pelo que debruçamo-nos sobre um livro.

Outro ponto abordado foi a questão da posição dos alunos em relação ao estudo.Para isso, a educadora afirma: "Pra gente ter uma postura em relação ao estudo, é preciso saber como a gente aprende". Na seqüência, ela discorreu

sobre as duas formas de introduzirmos algo no nosso leque do saber. Uma delas seria a aprendizagem mecânica, enquanto que a outra é a chamada aprendizagem significativa.

De acordo com a palestrante, a aprendizagem mecânica é aquela em que se tem um estímulo externo e uma resposta imediata ao mesmo, sem que haja uma reflexão no meio das duas ações. Tal técnica é a utilizada para o adestramento de animais, mas que, foi utilizada por muito tempo nas escolas, a exemplo dos castigos como a palmatória ou algum tipo de humilhação pela qual passava o aluno que se desviasse das regras das instituições de ensino.

Para a explicação da segunda forma de aprendizagem a professora logo evidenciou a diferença em relação à primeira: entre o estímulo e a ação, há um indivíduo, o qual é movido por desejos, valores e pelos medos. Em relação a estes ela afirma: "Alguma coisa que a gente aprende pelo medo, você esquece rapidamente, assim que cessa o estímulo".

Além disso, Ausônia comentou algo de suma importância para quem está prestes a prestar um exame de vestibular: "Uma coisa primária, é a gente saber quais são os motivos pra gente estudar (...). Eu não vou me mobilizar por motivos alheios". Caso este fato ocorra, ainda de acordo com a diretora pedagógica, a pessoa será um alienado, que irá cometer diversos erros na profissão, por ser frustrado com a mesma.

Adendo a todos esses conselhos, Ausônia frisou a importância de contextualizar-se aquilo que se procura aprender, para que não haja um aprendizado mecânico. Outra forma de aumentar o conhecimento é fazer uma relação entre o que é novo e aquilo que já sabemos.Isto porque, conforme a palestrante,  a gente não aprende pelo detalhe, mas sim por aquilo que é mais geral, para depois buscarmos o mais específico.

Por fim, a diretora pedagógica do Colégio Equipe alertou os estudantes quanto ao estudo em ambientes que possuam elementos que os possam distraí-los, "Nós aprendemos de diversas fontes. Mas, fontes que convirjam para a mesma coisa", afirmou, ressalvando que música, televisão, entre outros fazem parte dos chamados elementos dispersivos.

No final da palestra, como de costume, a convidada respondeu a algumas perguntas dos estudantes presentes, as quais abordaram temas como formas diferentes de aprendizado e métodos de incentivo à leitura para os mais jovens. E o ponto final deste sábado foi dado com a frase de Ausônia: "Vocês têm um dos quesitos mais importantes para o aprendizado: ouvir e saber fazer perguntas relevantes".

Para o próximo encontro do De Frente para o Futuro virá Vanderlei Dias de Souza, coordenador da Faculdade de Jornalismo do Mackenzie e professor das disciplinas de Jornalismo Político, Criação do Texto e Técnica de Reportagem.

 

 

 

 

 

 

 

 

EDUCAÇÃO É TEMA EM PALESTRA NO INTELIGENTE VESTIBULARES

Por Caroline Zilli

O Inteligente Vestibulares, numa parceria com a empresa Oboré, recebeu no sábado, 10 de setembro de 2005, a educadora Ausônia Donato com a proposta de discutir as diversas formas de aprendizado.

Ausônia é diretora pedagógica do Colégio Equipe e diretora técnica de serviços no Instituto de Saúde da Secretária Estadual de Saúde de São Paulo. Ela é mestra em Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) e doutora em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).

Antes de entrar no tema da palestra, Ausônia relatou três acontecimentos distintos a fim de exemplificar o risco de um aprendizado ineficiente. Num deles, um senhor fluminense, devido ao seu alto índice de colesterol, foi aconselhado pelo seu médico a comer durante um mês apenas carne branca. Transcorrido o tempo, foi parar na UTI, pois havia ingerido diariamente dobradinha (carne de porco) por acreditar que carne branca fosse qualquer uma de cor clara, e não frutos do mar. Neste caso, a deficiência educacional poderia ter custado sua vida.

Com a ajuda dos alunos, enumerou quatro agentes causadores dessa defasagem. São estes a ausência de base educativa, linguagem deferida, falta de interesse em ensinar/aprender e o não saber ensinar.

A finalidade do estudo é o aprendizado. E isso só é possível se existe uma motivação dos dois lados - emissor e receptor.  Neste universo motivacional, segundo a palestrante, os desejos reais e os medos são uma forma de estímulo.

Há duas formas de se adquirir conhecimento. O primeiro é o mecânico. Nele, a pessoa decora aquilo que foi ensinado, no entanto depois de um período não se recorda de mais nada. É o método “para condicionar animais”, afirma Ausônia. Já no segundo, batizado de significativo, o estudo é pessoal, cada ser reage de uma maneira diferente a um mesmo assunto. Neste caso, o saber só permanecerá caso haja o entendimento completo do tema.

Observar o ambiente, seus detalhes e descrevê-los é imprescindível quando se trata de estudar. De acordo com Ausônia, assistir a uma aula, ir a uma palestra e ler livros são formas de estudo, só depende da visão de cada um.

No final da palestra, a pedagoga abriu o espaço para as perguntas do público. Agradeceu pelo convite e foi ovacionada.

 

 

 

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