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Assim que
expôs todo o processo de surgimento e consolidação das regras de convivência
humana, Gregori chegou ao motivo principal de sua presença no Cursinho
Inteligente, promover a campanha a favor do desarmamento.
Ele
afirmou que o combate à violência eleva o índice de respeito aos direitos
humanos. Dessa forma, objetiva este progresso no Brasil, que foi condenado pelo
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNDU) por não respeitar os
níveis básicos da estrutura social - desrespeito a áreas tão diversas como
educação, direitos indígenas, conflitos agrários e meio ambiente.
A
primeira etapa será a proibição da comercialização e porte de armas de fogo por
pessoas sem permissão. Entre as principais vítimas e responsáveis estão os
jovens de 17 a
24 anos.
O
desarmamento da população civil é necessário, pois, de acordo com Gregori, os
instrumentos utilizados pelos criminosos provêm de assaltos às residências.
Assim, ao proibir a circulação destes, a ocorrência de crimes causados por
disparo dessas armas diminuirá.
A
divulgação do referendo popular do dia 23 de outubro é feita por meio de
palestras e propagandas. Haverá também, segundo Gregori, transmissões
televisivas e radiofônicas obrigatórias, “uma espécie de horário político”,
esclarece. Obrigatório, pois todo
cidadão acima de 18 anos tem de ir às urnas e decidir se é a favor ou contra o
desarmamento.
Já a
mídia está proibida de exibir por meio de seus programas ou reportagens a
opinião do veículo sobre a questão, por ser considerada formadora de opinião.
A
palestra terminou com os sinceros agradecimentos de Dr. José Gregori. Estiveram
presentes também o professor de História Imediata (atualidades) do Cursinho
Inteligente e assessor da Ouvidoria Geral do Município de São Paulo, Álvaro
Luiz Travassos de Azevedo Gonzaga e o diretor da OBORÉ, Sérgio Gomes.
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VESTIBULANDOS
POSTOS "DE FRENTE PARA O FUTURO"
Por
Marcelo Iglesias
O Inteligente Vestibulares, curso
pré-vestibular especializado na área de comunicação, em parceria com a Oboré,
empresa encabeçada por Sergio Gomes, eterno militante pela democratização da mídia,
deu início, no último dia 27 de agosto, ao projeto “De Frente para o Futuro”:
Faculdade/ Mercado de Trabalho. A iniciativa visa o contato dos vestibulandos
com profissionais ligados a assuntos atuais e com posição crítica sobre a
realidade do mercado de trabalho. Neste primeiro encontro, Dr. José Gregori foi
quem passou parte da sua experiência aos estudantes. Ele, que já foi ministro
da Justiça e embaixador do Brasil em Portugal, e que, atualmente, preside a
Comissão Municipal de Direitos Humanos abordou, principalmente, a questão do
referendo de 23 de outubro deste ano, que decidirá se a população brasileira é
a favor ou contra a proibição da venda de armas de fogo.
A conversa teve início através de uma
diferenciação entre as gerações de Gregori e a dos estudantes. “Eu acho que
vocês têm, em relação a minha geração, possibilidades de aproveitar (...) a
democracia. E nós tivemos que lutar por ela”, disse o ex-ministro. “Em
compensação, vocês têm muito mais competitividade (...) tudo se afunila”,
ponderou Gregori. E foi esse o gancho usado para principiar o debate sobre a
dificuldade de desfrutar a cidade da atual geração de jovens, visto o problema
da falta de segurança.
Após essa breve distinção entre épocas,
houve uma abordagem sobre a necessidade da existência do Direito dentro de uma
sociedade, aja vista que, de acordo com o ex-embaixador brasileiro, “Nós
estamos praticamente condenados a viver em conjunto”. Mas, para que se tenha o
Direito, Gregori afirma que se tem de construir a base para o mesmo, e que esse
sustentáculo seriam os Direitos Humanos. Para tanto, houve uma rememoração de
fatos marcantes da história, como a Declaração de Independência dos EUA e a
Revolução Francesa, que levaram,após a Segunda Guerra Mundial, em 1948, à
Declaração dos Direitos Humanos. Documento que Gregori aponta como essencial
para entendermos o século XX e o que ocorrerá no século XXI.
O presidente da Comissão Municipal de
Direitos Humanos se diz otimista em relação ao seu campo de trabalho, por ter
visto muitos sonhos tornarem-se realidade. “Eu quero passar para vocês essa
minha convicção de que os Direitos Humanos são uma grande aposta, que é uma
coisa que realmente funciona”. Além disso, ressalta que, agora, essa parte do
Direito invade todos os aspectos da vida humana, sejam eles econômicos,
sociais, políticos, ou de qualquer outra natureza. Como prova disso José
Gregori afirma que “esse Direito para ser realizado não depende da vontade de
um país, mas da vontade de vários outros países (...) para o bem, no caso de
troca de mercadorias, e para o mal, em relação ao narcotráfico”.
Na seqüência dessa elucidação sobre o
trabalho de Gregori como defensor assíduo dos direitos humanos, ele declarou
que o principal problema do Brasil é a violência, a qual possui estatísticas de
guerra civil. Com isso, graduou que é necessário que lutemos pela implantação
prática dos direitos humanos, visto que, teoricamente, tal fato já ocorre, pelo
que consta na Constituição Federal (mais precisamente no artigo 5º), mas sem
deixarmos de cuidar daquilo que se refere ao combate à violência. Assim, o
ex-ministro garante que não existe uma só causa que gera a violência, mas que
podemos interferir, através do referendo, em uma delas, que é a questão do uso
de armas, a qual como principais vítimas e executores tem os jovens entre 17 e
25 anos de idade.
O dado apresentado acima se torna mais
preocupante quando se é informado que o Brasil é país com mais assassinatos por
armas de fogo do mundo, de acordo com Dr. José Gregori. Daí fica clara a importância
da alarmante luta da qual o ex-embaixador brasileiro participa para que se mude
tanto a postura do governo como da maioria da população brasileira em relação à
violência. Luta essa que caminha no mesmo sentido daquela pelos Direitos
Humanos, “na medida que a violência hoje é um impedimento para a melhoria dos
Direitos Humanos, é uma forma também de nós lutarmos pelos Direitos Humanos”,
ressalva Gregori.
Após esta frase de efeito do convidado,
Sergio Gomes, representante da Oboré no projeto, informou e convocou os
vestibulandos a participarem do ato que ocorrerá em favor da proposta do
referendo, no próprio dia 23 de outubro, na Catedral da Sé, reunindo
representantes de várias religiões, como muçulmanos (xiitas e sunitas), judeus,
budistas, católicos, protestantes (batistas, metodistas e presbiterianos),
entre outras autoridades religiosas a confirmarem suas presenças no evento.
Para findar a sua participação neste primeiro encontro do “De Frente para o
Futuro”, Sergio Gomes fez a seguinte reflexão: “A partir de Hiroshima e
Nagazaki, a sobrevivência da humanidade depende da ação humana”.
Por fim, a última parte deste sábado foi
marcada pelas perguntas dos vestibulandos para Dr. José Gregori sobre o referendo e
a segurança no país.
Para o próximo encontro do projeto virá
a professora Ausônia Donato, diretora pedagógica do Colégio Equipe (SP) e
diretora técnica de serviços no Instituto de Saúde – Secretaria Estadual de
Saúde de São Paulo. A educadora discutirá com os vestibulandos do Cursinho
Inteligente questões relacionadas à educação formal e à área de saúde pública,
pontos com os quais trabalha desde 1969. |