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29/10 - Rodolfo Carlos Martinho, coordenador do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).

29/10José Salvador Faro, professor dos cursos de graduação e pós-graduação de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e professor da graduação do curso de Jornalismo da PUC-SP.

Texto do aluno Marcelo Iglesias

 

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"LER PARA ENTENDER"

Profissionais que lidam diretamente com universitários de cursos de jornalismo ressaltaram a importância da leitura para a formação individual e acadêmica

Por Marcelo Iglesias

Inteligente Vestibulares realizou neste dia 29 de outubro mais um dos encontros do Projeto de Frente para o Futuro. Desta vez os convidados foram o professor dos cursos de graduação e pós-graduação de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), José Salvador Faro, e o coordenador do curso de Jornalismo da UMESP, Rodolfo Carlos Martinho.

A parte da palestra que abordou a visão dos dois profissionais sobre o jornalismo foi extremamente enriquecedora aos alunos do cursinho, uma vez que desfizeram possíveis ilusões com a profissão e com os cursos de graduação para a ocupação dentro do país. Nas palavras do professor Faro, "Boa parte dos cursos de jornalismo continuam formando profissionais pra um outro tempo", ressaltando o despreparo de muitos dos que saem das universidades e tentam ingressar no mercado de trabalho.

O docente também garantiu que, apesar das dificuldades, a PUC-SP irá encarar o desafio de implementar um curriculum mais completo, que busca a absorção das duas competências que, segundo ele, são essenciais a qualquer jornalista: a técnica, que se refere à apuração e à transmissão das informações, e a discursiva, que lida com a formação de conceitos sólidos sobre a realidade. "Se um jornalista não consegue distinguir o que o entrevistado fala, ele se torna um porta-voz do mesmo", afirmou Faro para sustentar a importância da base conceitual na formação de um bom jornalista. Em oposição a isto, o professor formado em História pela Universidade de São Paulo (USP) apontou para a questão específica da PUC-SP, onde tem-se um curso "envelhecido", o qual é muito voltado para a formação de conceitos em detrimento dos conhecimentos técnicos.

Para Jorge Salvador Faro, depois que um curso definir as suas linhas técnica e cultural, ele tem que saber para quem estará formando o indivíduo que sairá da universidade. Porém, afirma, "A universidade não deve formar aquilo que o mercado quer, mas aquilo que a profissão exige", mais uma vez primando pela formação o mais completa possível dos alunos.

O coordenador do curso da UMESP apontou o seu discurso mais para a formação universitária sempre levando em consideração as exigências do mercado de trabalho. De acordo com ele "Você precisa  ter um olho no mercado, mas você precisa também ter um projeto pessoal", afinal para ele será este projeto que alavancará não só a sua profissão, mas a sua vida.

Dois grandes problemas dos futuros membros da imprensa apresentados por Rodolfo Martinho foram o relacionado ao que os aspirantes a jornalista vêem como imprensa. Para ele, os estudantes sonham em integrar os corpos de emissoras de televisão, menosprezando os demais veículos de comunicação. O outro problema, e talvez o mais grave, é a falta de autonomia dos repórteres dentro da redações. Tal questão ele resume brilhantemente na frase: "Hoje na redação, vale mais a voz do dono do que o dono da voz, que é o repórter".

É por esses motivos que o coordenador do curso de jornalismo da UMESP, o qual possui 35 anos de existência, garante que este busca ensinar como o aluno deve entrar no mercado de trabalho de maneira definitiva, e não ser mais um. Isto porque o jornalista deve ser livre, indepente, pois, mais cedo ou mais tarde, ele terá de dizer "não" ao chefe ou a quem quer  que seja. Afinal, o jornalista está no mercado, mas não deve ser subserviente ao mesmo.

Este encontro teve uma participação que não estava programada, mas que acrescentou em muito às discussões levantadas durante a manhã. Foi o diretor da Oboré, Sérgio Gomes, figura extremamente empenhada na valorização da profissão e da formação profissional dos jornalistas. Conforme ele afirma, são necessárias três coisas para se ter uma formação sólida: saber minimamente a história brasileira, ter pensamento lógico, e, como não será possível ler tudo, ler o que é bom.

A leitura foi apontada por Sergio Gomes como algo mais do que essencial para um jornalista. E não só a leitura de livros literários, mas também  de jornais. Afinal, de acordo com o diretor da Oboré, 93% dos alunos de jornalismo não lêem jornal. "É impossível um sujeito ter idéias jornalísticas se ele não lê jornal", indignou-se. Afinal, é muito mais fácil ensinar um jornalista a trabalhar com as técnicas jornalísticas, do que suprir-lhe as deficiências culturais. Para complementar a importância de ler-se regularmente, Sergio Gomes disse a sábia frase: "A única coisa que você aprende não fazendo é escrever. Você só aprende a escrever, lendo". Para instigar os participantes a principiarem seus projetos de leitura, todos os presentes da mesa recomendaram diversos títulos e autores nacionais e internacionais.

Durante o encontro, na parte destinada às perguntas dos alunos falou-se sobre a importância de bons professores nas universidades, e sobre algo que é discussão certa  na roda de jornalistas: ter a notícia como protagonista de todas as ações dos membros dos órgãos de imprensa, o que casou perfeitamente com a citação a Caetano Veloso que encerrou a palestra: "Como é bom você tocar um instrumento", fazendo uma analogia ao papel do jornalista de fazer da notícia seu instrumento que deve ser levado ao maior público possível.

 

 

 

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