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PELA
AÇÃO DE CIVILIZAR OS HOMENS
Por
Marcelo Iglesias
O Projeto de Frente para o Futuro realizado pelo Cursinho
Inteligente em parceria com a OBORÉ – Projetos Especiais em Comunicações e
Artes teve o seu último encontro neste dia 03 de dezembro, na sede da OBORÉ, na
Rua Rego Freitas, em São
Paulo.
Antes da
palestra que teve como destaque a presença de Marco Antônio Coelho Filho,
responsável pela área de redes de expansão e documentários da TV Cultura, e
José Vidal Pola Galé, chefe de jornalismo da referida emissora, houve a
reprodução do especial exibido pelo canal em homenagem aos 30 anos da morte do
jornalista Vladimir Herzog, no dia 25 de outubro. Aliado a esta apresentação
falou-se sobre o livro Jornalismo Público, que é nada mais do que um guia de
princípios, dentre os quais estão muitas das idéias pregadas por Herzog,
durante a sua participação na TV Cultura.
O encontro
também contou com representantes da TV Comunitária, a qual tem aproximadamente
125 programas e é a única emissora que possui um espaço reservado
exclusivamente aos homossexuais, além de outros grupos sociais como comunidades
da zona leste de São Paulo, chineses, judeus, entre outros.
Os
palestrantes explicaram aos participantes sobre os tipos de televisão que são
possíveis (privada, pública e estatal). Com isso, evidenciou-se que a TV
Cultura é a única que tem condições para o desenvolvimento de um jornalismo
público, isto é, representado e representante real da sociedade. Isto porque as
emissoras privadas apesar de também poderem desenvolver essa vertente do
jornalismo, não conseguem ater-se
exclusivamente a esta forma de noticiar.
Conforme
disseram os palestrantes, o Jornalismo Público também tem como intuito fazer
com que os jornalistas pensem sobre o que estão fazendo diariamente, principalmente
em relação àqueles que trabalham na TV, visto que este meio de comunicação está
extremamente ligado ao entretenimento, e o jornalismo não pode ser encarado de
tal forma.
Um alerta
importante dado pelos palestrantes aos participantes do De Frente pro Futuro
foi em relação à mística que existe em relação ao jornalismo. Isto porque a
profissão está muito ligada ao “se fazer o bem”, o que confunde, pois muitos
pensam que o jornalista tem o aval de julgar os conflitos, o que não é verdade.
O jornalista deve sim ajudar na organização de civilizar, ajudar na organização
dos homens sobre os homens.
Outro ponto
comentado na palestra foi como são escolhidos os fatos que serão transformados em notícia. De acordo com
os palestrantes o que potencialmente vira notícia são fatos correlatos a quatro
grandes temas: morte (física ou de reputação), emoção com dor, emoção da
vitória e sexo. No entanto, tal limitação afunila também o jornalismo de uma
forma geral. Fato este que é um dos pontos base dos questionamento das
televisões e veículos alternativos. Portanto, quando se faz uma matéria, esta
tem que ter importância para a vida da sociedade, direta ou indiretamente.
Mais uma
falha do jornalismo televisivo apontado no De Frente para o Futuro foi o fato
do jornalismo atuar muito mais para destruir do que para construir. Isto
acontece, em parte, pelo fato da TV trabalhar muito com os detalhes, com a
exceção. Um exemplo disto é a imagem que se tem em relação aos políticos, os
quais são vistos sempre como corruptos, pois os jornais mostram demasiadamente
as suas falhas e raramente os seus projetos que auxiliam a formação de uma
sociedade melhor.
A presença
do coordenador do curso de jornalismo do Mackenzie, Vanderlei Dias, também veio
contribuir para o enriquecimento da palestra. Ele falou sobre o jornal
laboratório da instituição onde trabalha, que busca retratar o centro da
cidade, em todos os seus ângulos.
Este
último encontro foi perfeito para sintetizar tudo o que foi discutido nas
palestras anteriores e para mostrar como é o jornalismo atualmente e como se
sonha que ele seja. Além disso, o projeto deixou uma mensagem bem clara para os
participantes. Mensagem esta que o jornalista Sérgio Gomes, diretor da OBORÉ,
sempre que possível evidencia aos aspirantes à profissão e aos já jornalistas:
“O estudo é individual. Não existe estudo coletivo”, mostrando a importância de
dedicar-se de corpo e alma a tudo que se for fazer e sempre buscando ser mais
do que se é. Fato que também foi evidenciado na palestra do professor Chaparro,
quando ele disse: “É sempre possível escrever melhor e isso pressupõe que é
sempre possível estudar”. |