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03/12/05 - Aula Especial de Abertura do Curso Intensivo Comunicação 2005 com a presença de: Marco Antônio Coelho Filho e José Vidal Pola Galé, ambos da direção jornalística da TV Cultura de SP.

Texto do aluno Marcelo Iglesias

 

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PELA AÇÃO DE CIVILIZAR OS HOMENS

Por Marcelo Iglesias

O Projeto de Frente para o Futuro realizado pelo Cursinho Inteligente em parceria com a OBORÉ – Projetos Especiais em Comunicações e Artes teve o seu último encontro neste dia 03 de dezembro, na sede da OBORÉ, na Rua Rego Freitas, em São Paulo.

Antes da palestra que teve como destaque a presença de Marco Antônio Coelho Filho, responsável pela área de redes de expansão e documentários da TV Cultura, e José Vidal Pola Galé, chefe de jornalismo da referida emissora, houve a reprodução do especial exibido pelo canal em homenagem aos 30 anos da morte do jornalista Vladimir Herzog, no dia 25 de outubro. Aliado a esta apresentação falou-se sobre o livro Jornalismo Público, que é nada mais do que um guia de princípios, dentre os quais estão muitas das idéias pregadas por Herzog, durante a sua participação na TV Cultura.

O encontro também contou com representantes da TV Comunitária, a qual tem aproximadamente 125 programas e é a única emissora que possui um espaço reservado exclusivamente aos homossexuais, além de outros grupos sociais como comunidades da zona leste de São Paulo, chineses, judeus, entre outros.

Os palestrantes explicaram aos participantes sobre os tipos de televisão que são possíveis (privada, pública e estatal). Com isso, evidenciou-se que a TV Cultura é a única que tem condições para o desenvolvimento de um jornalismo público, isto é, representado e representante real da sociedade. Isto porque as emissoras privadas apesar de também poderem desenvolver essa vertente do jornalismo, não conseguem ater-se  exclusivamente a esta forma de noticiar.

Conforme disseram os palestrantes, o Jornalismo Público também tem como intuito fazer com que os jornalistas pensem sobre o que estão fazendo diariamente, principalmente em relação àqueles que trabalham na TV, visto que este meio de comunicação está extremamente ligado ao entretenimento, e o jornalismo não pode ser encarado de tal forma.

Um alerta importante dado pelos palestrantes aos participantes do De Frente pro Futuro foi em relação à mística que existe em relação ao jornalismo. Isto porque a profissão está muito ligada ao “se fazer o bem”, o que confunde, pois muitos pensam que o jornalista tem o aval de julgar os conflitos, o que não é verdade. O jornalista deve sim ajudar na organização de civilizar, ajudar na organização dos homens sobre os homens.

Outro ponto comentado na palestra foi como são escolhidos os fatos que serão transformados em notícia. De acordo com os palestrantes o que potencialmente vira notícia são fatos correlatos a quatro grandes temas: morte (física ou de reputação), emoção com dor, emoção da vitória e sexo. No entanto, tal limitação afunila também o jornalismo de uma forma geral. Fato este que é um dos pontos base dos questionamento das televisões e veículos alternativos. Portanto, quando se faz uma matéria, esta tem que ter importância para a vida da sociedade, direta ou indiretamente.

Mais uma falha do jornalismo televisivo apontado no De Frente para o Futuro foi o fato do jornalismo atuar muito mais para destruir do que para construir. Isto acontece, em parte, pelo fato da TV trabalhar muito com os detalhes, com a exceção. Um exemplo disto é a imagem que se tem em relação aos políticos, os quais são vistos sempre como corruptos, pois os jornais mostram demasiadamente as suas falhas e raramente os seus projetos que auxiliam a formação de uma sociedade melhor.

A presença do coordenador do curso de jornalismo do Mackenzie, Vanderlei Dias, também veio contribuir para o enriquecimento da palestra. Ele falou sobre o jornal laboratório da instituição onde trabalha, que busca retratar o centro da cidade, em todos os seus ângulos.

Este último encontro foi perfeito para sintetizar tudo o que foi discutido nas palestras anteriores e para mostrar como é o jornalismo atualmente e como se sonha que ele seja. Além disso, o projeto deixou uma mensagem bem clara para os participantes. Mensagem esta que o jornalista Sérgio Gomes, diretor da OBORÉ, sempre que possível evidencia aos aspirantes à profissão e aos já jornalistas: “O estudo é individual. Não existe estudo coletivo”, mostrando a importância de dedicar-se de corpo e alma a tudo que se for fazer e sempre buscando ser mais  do que se é. Fato que também foi evidenciado na palestra do professor Chaparro, quando ele disse: “É sempre possível escrever melhor e isso pressupõe que é sempre possível estudar”.

 

 

 

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