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17/11/05 - Manuel Carlos Chaparro - Professor da Pós-graduação do Departamento de Jornalismo da ECA-USP.

Texto do aluno Marcelo Iglesias

 

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O PODER DO JORNALISMO

Por Marcelo Iglesias

No último dia 17 de novembro, o Inteligente Vestibulares recebeu para o Projeto De Frente para o Futuro o professor da pós-graduação da Universidade de São Paulo (USP), Manuel Carlos Chaparro. Ele que foi militante a favor do movimento operário contrário à ditadura de Salazar, em Portugal, assegurou aos alunos: “Sem informação é impossível ser cidadão”, garantindo que é inviável a execução do jornalismo em uma nação onde existe a censura.

No entanto, o professor frisou aos estudantes que o jornalismo exercido com liberdade tem que ser responsável, aconselhando àqueles que pretendem seguir a profissão a começarem pela leitura do Artigo 5° da Constituição Federal do Brasil, o qual, de acordo com Chaparro, evidencia os direitos básicos da vida, além de ser a síntese de um ideal e um ótimo filtro daquilo que deve ou não ser noticiado.

Uma das mais importantes funções do jornalismo de acordo com o professor da pós-graduação da USP é a de dar voz aos grupos sociais que não têm. Como exemplo, disse que a grande diferença entre  o   Movimento dos Trabalhadores Sem Terra  (MTST) e os moradores de rua é que os primeiros

têm voz na sociedade, enquanto que os outros não. Mesmo porque, hoje em dia, noticiar é a forma mais eficaz de produzir intervenções na realidade.

“Os fatos valem pelo que significam e não pelo que são”, disse o palestrante. A exemplo disso, ele falou sobre o caso do ataque às Torres Gêmeas, nos Estados Unidos. O que foi evidenciado foi o efeito político-militar causado e não o fato de muitas pessoas terem morrido pela ação terrorista. “O nosso trabalho é o de atribuir significado às coisas”, alertou para o fato que os jornalistas não são responsáveis apenas pelos suas ações, mas também pelas ações produzidas pelos outros e pelos seus efeitos. “Por isso que se fala em ética no jornalismo”, disse o professor.

Contudo, Chaparro acredita que o jornalista perdeu o poder de noticiar, apesar dele dar a sua visão em relação aos fatos sobre os quais fala. Para o professor, o grande ganho do jornalismo, nos últimos anos, é o poder que a sociedade atribui a ele por confiar no que lhe é apresentado. Ainda relacionado a este tema falou-se sobre a importância do jornalismo como espaço onde são solucionados os grandes conflitos da sociedade.

Chaparro também falou sobre o que ele chama de duas âncoras do jornalismo. A atualidade, afirmando que tudo que é noticiado é porque tem potencial de causar efeitos na sociedade, e que, portanto, o jornalismo não é efêmero, mas transformador. No entanto, alertou que quem vai fazer as mudanças não são os jornalistas, mas sim os grupos sociais organizados, isto é, os membros da sociedade em conjunto. O outro pilar do jornalismo, de acordo com o professor, é a sociedade como fonte da ética, ou seja, para uma notícia ter conseqüências são necessárias as leis e os costumes, ambos incrustados na sociedade, como fatos e atitudes certas. Portanto, o sujeito que divulga uma informação tem que ser responsável por isso, pois, para Chaparro, a imprensa nacional é muito processada, porque é muito corrupta, visto que tem muitas ligações com o poder.

 

 

 

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