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"A VEREADORA
SONINHA EXPLICA A CPI DO TRABALHO ESCRAVO"
Por Marcelo Iglesias
A ex-vj e atual vereadora pelo PT explicou aos vestibulandos
sobre a questão da utilização de bolivianos como escravos e apresentou algumas
de suas posições sobre outros assuntos.
O projeto De Frente Para o Futuro recebeu neste sábado, dia
08 de outubro, a vereadora pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e
ex-apresentadora da MTV, Soninha. Em parceria com a Oboré, o Cursinho
Inteligente trouxe a membro da Câmara Municipal para apresentar e discutir com
os vestibulandos principalmente sobre a CPI do trabalho escravo, da qual a
convidada faz parte.
No início, Soninha apresentou as duas CPI's que estão em
pauta na Câmara: a referente ao trabalho escravo e outra que aborda a questão
da "privatização" dos clubes desportivos municipais, os quais são
públicos.
A seguir apresentaram-se os materiais que a CPI da qual
participa a vereadora analisa. Atualmente, o trabalho realizado em sistema de
escravidão paira principalmente sobre os bolivianos, que atuam, geralmente, no
setor de confecções, sendo os coreanos seus mais freqüentes
"patrões". Tal forma de labuta é possível, pois os latinos vêm para o
Brasil com a ilusão de que conseguirão a realização profissional e financeira.
Enganados por promessas de riqueza, os bolivianos acabam por permanecerem quase
que todo o tempo no seu ambiente de trabalho, uma vez que não sabem falar o
português, estão em dívida com os aliciadores, que, geralmente, foram os que
financiaram a sua vinda, e estão com os documentos "apreendidos"
pelos exploradores.
Pelos mesmos motivos, as queixas em relação a esse tipo de
abuso vindas dos próprios bolivianos são muito raras. Tais acusações aos
exploradores seriam facilmente inseridas como infrações relacionadas
à legislação trabalhista, uma vez que neste tipo de produção, os
"empregados" não possuem carteira assinada, e ocorre um impedimento à
possíveis agregações dos trabalhadores, como a formação de sindicatos.
Um fato interessante, mencionado pela palestrante foi o de
que tal trabalho, dentro da CPI é chamado de análogo à escravidão, visto que os
próprios explorados não o vêem como tal. Esta realidade é sustentada por
eventos, como a feira cultural que ocorre no Pari, ou o campeonato de futebol
do qual times formados por membros das confecções ilegais fazem
parte. Contudo, de acordo com o que vigora no direito
internacional, a caracterização de um trabalho como escravo independe do
consentimento do explorado.
Quando questionada sobre os temores dos bolivianos que vivem
nessas condições em denunciar os seus "patrões", a vereadora
disse: "A essa altura eles sabem que não vão voltar para a Bolívia, mas
vão ficar s em trabalho, que é o grande medo".
Um dos maiores desafios dessa CPI de acordo com a ex-vj é o
de encontrar os locais onde existe este tipo de exploração, visto que ele está
extremamente disseminado por São Paulo. Outra importante meta da Comissão
Parlamentar de Inquérito é o de contabilizar quantos são os explorados por
este sistema, uma vez que a Pastoral do Imigrante afirma que
são aproximadamente 200 mil, o Consulado da Bolívia fala que são 50 mil e
o Sindicato das Costureiras diz que tais números giram em torno de 70 e 80 mil
bolivianos.
Em relação às críticas que esta CPI sofre por tratar dos
direitos de bolivianos ao invés de se preocupar com os brasileiros, Soninha
rebate dizendo que a Câmara quer tratar dos direitos humanos de seres humanos
como qualquer outro, independente da nacionalidade.Tal preocupação em
inseri-los na sociedade paulistana faz-se necessário, entre outros aspectos,
porque eles têm um dos maiores índices de tuberculose do município, visto que
trabalham em condições precárias. De acordo com a vereadora, a prefeitura
chegou a produzir manuais bilíngües para instruir os bolivianos da forma como se
cuidarem, e pediu aos médicos que os atendessem mesmo se não possuíssem
documentos.
Outro objetivo dessa comissão é realizar um acordo
bilateral Brasil-Bolívia, a fim de regulamentar os ilegais aqui e lá.
Isto porque tais pessoas estão impossibilitadas de lutarem pelos seus direitos,
aja visto que estão na ilegalidade.
Porém, algo que merece destaque, conforme a vereadora é que,
antes de tudo é preciso descobrir-se com certeza quem é que explora, visto que
o trabalho escravo não é mera e exclusivamente uma questão trabalhista. Além
disso, Soninha informou que em algumas blitz foram encontradas etiquetas de
marcas conhecidas, o que, contudo, não é uma evidência incontestável de que
tais empresas utilizem-se de trabalho escravo, pois há a possibilidade de pirataria.
Para tal problema a proposta da CPI é que se utilize um selo nos produtos que
demonstre o compromisso do dono do magazine que ele não compra mercadorias
feitas a base de trabalho escravo.
Em relação a possibilidade de deportar os ilegais, a vereadora
afirmou que por duas razões tal prática não interessa ao governo brasileiro:
primeiro pelos altos custos, e depois porque para tais trabalhadores a volta
para o seu país seria a pior das tragédias. A defesa em relação a posição de
agregação de tais pessoas é que a melhoria das condições de vida dos bolivianos
aqui não acarretaria em um aumento incontrolável da vinda desses latinos para o
Brasil, uma vez que a propaganda que os ilude é a de que as boas condições de
vida existem de fato por aqui.
Uma questão intrigante é a de que a punição dada aos donos
das oficinas que empregam esse tipo de trabalho são meramente administrativas.
No entanto, o crime que eles cometem, além de ser contra a Receita
Federal,uma vez que não pagam corretamente os impostos, é também em relação à
pessoa do trabalhador, por mais que este esteja com documentos inválidos.
Outros pontos brevemente abordados durante o espaço
destinado às perguntas foi a crise do governo e do PT, a questão
das drogas
dentro das universidades, a criação de um partido ligado à igreja evangélica, o
referendo do dia 23 de outubro e a trajetória de Soninha que começou como uma
das vjs pioneiras da MTV e que acabou direcionando-se para a área da política.
No próximo encontro, que será realizado no dia 22 de
outubro, os convidados serão José Salvador Faro, professor dos cursos de
graduação e pós-graduação de Jornalismo das Universidades PUC-SP e Metodista, e
Rodolfo Carlos Martinho, coordenador do curso de Jornalismo da Universidade
Metodista.
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